sexta-feira, 12 de outubro de 2012

Prostituição nas Arabias I - Síria

Prostituição nas Arabias I - Síria

Olha Habibas

O post de hoje é bem polêmico e abre uma série que o blog vai trazer sobre a industria do sexo no Oriente Médio. Os posts são frutos de muita pesquisa que começou em 2010 quando estive na Síria, em conversas com amigos e com meu ex namorado e também pelo que eu ví enquanto estava por lá. É um assunto delicado e não pode ser tratado com leviandade e emoções e sim mostrar fatos expostos por jornalistas e blogueiros de todo mundo e pela situações que vi principalmente em Damasco e Istambul.  Afinal estamos falando da profissão mais antiga do mundo e o objetivo deste post é puramente para informar os leitores do blog e não para fazer juízo de valores quanto as mulheres que vendem seus corpos em troca de dinheiro ou comida!

" Era uma noite fria,  no Domingo de Valentines Day em Damasco, e meu ex noivo foi ao Omayad Hotel para me buscar, pois ele havia feito reservas em um restaurante do Dedeman Hotel. O hotel organizou uma festa de Valentines Day e o Mahmoud quis fazer uma surpresa". Como de praxe o gerente do hotel que eu estava hospedada, ficava impedindo meu então noivo de subir até o meu quarto e ficar comigo lá e quando deixava era no máximo 15 minutos com a porta aberta.

 Isso se dava em nome da moral e dos bons costumes, e ele ficava pra morrer com aquele falso moralismo, pois neste mesmo hotel no 5º andar existe uma boate que costumava bombar nos finais de semana. Esta mesma boate era frequentada pelos hospedes do hotel, por turistas estrangeiros e claro pelos playboys de Damasco. Então na noite de Valentines Day, assim que me encontrei com o Moud no lobby do hotel. Vi , e ele estava bravo por não deixarem  ele subir. Dai ele me mostrou o motivo do seu descontetamento, onde  vários casais bem vestidos e chegando em carrões adentravam a recepção do hotel e pegava o elevador sem serem incomodados pelos funcionários do hotel.

  Eram eles, os playboys damasquinos com suas belas acompanhantes de roupas curtas em plena noite de inverno. Dai Ele não aguentou e falou:" Você pensa que eles são casais de namorados como eu e você? .... não ... essas moças são prostitutas de luxo que atendem aos homens abastados de Damasco e turistas cheios da grana". Eram moças muito bem maquiadas, com cabelo impecável, vestidos curtos e salto alto.

 Eram nada menos que, acompanhantes de luxo exercendo o ofício mais antigo do mundo. Homens jovens e com dinheiro passando o Dia dos Namorados com uma garota de programa de luxo. Um detalhe me chamou bastante a atenção: elas eram louras com pele e olhos claros. Perguntei se eram russas ou ucranianas. A resposta foi supreedente! Eram iraquianas" Mas como assim Mahmoud? Iraquianos não são árabes? Árabes são morenos! Dai ele me disse que no Iraque existem pessoas que são de pele, olhos e cabelos claros.... mas com feições árabes. De fato elas eram bem bonitas !

O que ocorre é 2010 antes da Síria entrar em conflito, os iraquianos é que fugiam do país por causa da intervenção e se refugiavam em campos em Damasco. Eu mesma cheguei a ficar hospedada em uns dos campos de refugiados iraquianos em Damasco. Fiquei uns dias em Jaramana que era um campo arrumadinho com casas e prédios e não um campo de barracas. Em Jaramana existia um comercio forte com muitas lojas de roupas, celulares, mercearias e restaurantes. Até a atriz Angelina Jolie visitou este campo.

Quando os iraquianos fugiam da guerra do Iraque, eles chegavam praticamente com a roupa do corpo e sem nenhum tostão nos bolsos. Qual era a forma de ganhar dinheiro, quando não se tinha uma profissão e era entre escolher ser ladra ou prostituta, muitas meninas decidiram ser prostitutas porque roubar em países muçulmanos tem punições severas.


Muitas meninas refugiadas vinham somente com a mãe e irmão pequenos, as vezes sozinha ... então se prostituir era a única alternativa para não morrer de fome! Muitas meninas tinham a aprovação da família para trabalhar no ramo e outras escondiam. Ou melhor pensavam que estavam escondendo. Outras vinham sozinhas e ficavam nos alojamentos arrajandos pelos cafetões.

As iraquianas eram maioria nos bordeis e bares de homens mas tinham muitas libanesas, palestinas, curdas e até mesmo sírias. Muitas meninas começavam a ser prostituir com 12 a 15 anos de idade, configurando ainda o crime de pedofilia e exploração sexual de menores. As sírias estavam até preocupadas, pois as refugiadas estavam lhe roubando os empregos.

Já as prostitutas de luxo como as que frequentavam a boate do Omayad Hotel ao lado do playboys de Damasco. Atendiam por telefone e algumas tinham páginas na web para divulgar seus serviços .... mas não consegui mais encontrar as páginas para colocar o link aqui no blog.

As diferenças não param somente com relação ao local de trabalho. O cache que as prostitutas que trabalham em boates e bares girava em torno de 20, 30 dolares por programa que duravam em média 01 hora cada. As acompanhantes ganhavam muitos mais pois além do cache maior, também frequentava lugares da moda, comiam em bons restaurantes e as vezes dormiam em hotéis de luxo como o Four Season Damascus.

Mas os grandes consumidores do serviços das prostitutas na Síria não eram somente os playboys de Damasco ou os homens que frequentam os bordeis mais baratos. Grande parte da clientela era de homens de outras partes do Oriente Médio como sauditas e outros homens da área do Golfo que passavam por Damasco a negócios ou para visitar a cidade. Meu amigo que faleceu recentemente, me contou certa vez que amigos deles que foram trabalhar no golfo,  freqüentemente viajavam para Síria ou Turquia para fazer turismo sexual, já que na Arabia Saudita .... isso era mais complicado. Não que pela falta de prostitutas lá e sim pelo risco de ser pego fazendo sexo com uma profissional  e ser preso. Perigo esse que quase não existe na Síria ou Turquia.



 Nos bares e boates  onde as meninas trabalham como dançarinas, mas que todo mundo sabe, que elas estão lá atrás de clientes para fazer programa. Dançarina serve como um disfarce já que soa mais leve do que prostituta. Estes estabelicimentos ficam localizados na Old Damasco próximos ao Barada River que corta a cidade. Mas nas boates dos hotéis também tem meninas mas geralmente são as de luxo que circulam por lá atrás de homens com mais dinheiro. Também tem dessas boates no deserto, nas saídas de Damasco sentido Homs, Jordânia e no caminho para o aeroporto.

As meninas que trabalham em boates como " dançarinas" geralmente usam vestidos com muitos enfeites para fazer bonito na hora da dança e conquistar clientes. Usam  maquiagem mais carregada para parecer mais velhas e os cabelos recebem penteados e enfeites. Mas algumas trabalham como strippers não são todas e nem todos os night clubs tem essa atração. Nestes bordeis ou boates, enquanto as meninas dançam os homens jogam notas de libras sírias e tem funcionários que ficam recolhendo o dinheiro jogado no chão e contando. A divisão não é mais justa possível, e os donos da boate ficam com a maior parte da quantia arrecadada.

Muitos homem assinam um contrato de casamento temporário mais conhecido como prostituição legalizada e acabam por explorar essas jovens meninas. Também existe os casos de meninas que são captadas para o trafico de mulheres para a prostituição.

Muitas meninas que trabalham como prostitutas são muçulmanas que abandonam os hejabs e as roupas modestas na hora de trabalhar como prostitutas/dançarinas em Damasco ou em outras cidades da Síria mas a maioria está em Damasco mesmo.

Pelo que eu presenciei existe uma turma para não falar mafia que lucrava com a prostituição de mulheres refugiadas, muitas delas menores e algumas reportagens citam garotas de 10 anos trabalhando como prostituta. Para isso a moral e o bom costume não existia, homens acompanhados de garotas de programas se hospedavam nos hotéis em Damasco sem problemas, pois com certeza o gerente ou dono do hotel ganhava algo com isso. Mas casais de namorados adultos, não podiam ficar no mesmo quarto juntos porque era um haram. Mas as prostitutas circulavam livremente pelos hotéis de Damasco. Isto fortalece a idéia de que autoridades do governo sírio eram coniventes com a prostituição de mulheres refugiadas.

Hoje a Síria se encontra em uma grande guerra que dura cerca de 18 meses, e acredito que muita coisa possa ter mudado. A quantidade de garotas refugiadas trabalhando na prostituição deve ter diminuído e talvez a Síria esteja na falta de garotas para serem exploradas.

Eu não consegui achar vídeos sobre o assunto em português, na verdade não tem muitos. Eu achei somente 02 vídeos em inglês, mas acho que dá para ter uma ideia geral mesmo quem não fala inglês.





Salam Waleikum



Fontes:
http://www.vice.com/read/syrian-whorehouse-v14n11
http://www.bbc.co.uk/portuguese/reporterbbc/story/2007/12/071204_iraqueprostituicao_ac.shtml
http://pibillwarner.wordpress.com/2010/01/24/strip-clubs-in-damascus-syria-on-the-rise-for-meetings-by-terror-leaders-eric-shawn-sunday-fox-news-interview-with-john-bolton-who-was-clueless/



Reações:

5 comentários:

  1. Você explanou o assunto de forma maravilhosa. Infelizmente é bem isso mesmo. Existe uma "mafia" que lucra em cima das prostitutas árabes.
    Lembro-me quando morava em Casablanca... Hotéis maravilhosos com prostitutas no saguão à espera de clientes. Funcionava assim: O homem que comprasse o programa tinha que pagar por 2 quartos, cada um entrava no seu, e na "surdina" a prostituta ia fazer seu trabalho.
    Eu não conseguia entender como conseguiam viver no meio de tanta hipocrisia. Toda vez que ia fazer check-in com meu noivo era um problema, que só aliviava quando viam minha nacionalidade no passaporte. ( me confundiam com árabe ). Como eles podiam me olhar com aquela cara de " preconceito" se no sofá, bem ali, pertinho do balcão, havia uma " pros" ?
    Meu noivo me explicou que essas prostitutas tem acordo até com os motoristas de táxi. Todos recebem uma porcentagem do programa feito.
    Eu sentia dó e revolta.
    É muito complicado.

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  2. Você explanou o assunto de forma maravilhosa. Infelizmente é bem isso mesmo. Existe uma " mafia" que lucra em cima das prostitutas árabes.
    Lembro-me quando morava em Casablanca... Hotéis maravilhosos com prostitutas no saguão à espera de clientes. Funcionava assim: O homem que comprasse o programa tinha que pagar por 2 quartos, cada um entrava no seu, e na "surdina" a prostituta ia fazer seu trabalho.
    Eu não conseguia entender como conseguiam viver no meio de tanta hipocrisia. Toda vez que ia fazer check-in com meu noivo era um problema, que só aliviava quando viam minha nacionalidade no passaporte. ( me confundiam com árabe ). Como eles podiam me olhar com aquela cara de " preconceito" se no sofá, bem ali, pertinho do balcão, havia uma " pros" ?
    Meu noivo me explicou que essas prostitutas tem acordo até com os motoristas de táxi. Todos recebem uma porcentagem do programa feito.
    Eu sentia dó e revolta.
    É muito complicado.
    Mais uma vez, Parabéns Andreia!
    Beijo!

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  3. Salam Tatiane!

    Seu comentário foi excelente, tocar na ferida .... mo falso moralismo que existe no mundo para árabe.
    Vejo que passou por situações parecidas, eles criavam dificuldade para meu ex noivo subir e ficar comigo lá um pouquinho mas para os caras que entravam lá com prostitutas tem livre acesso.
    Com certeza o gerente do hoteis ganhava por fora, alcovitando prostitutas mas os hospedes comuns do hotel não podiam receber visitas!
    Eu ficava pra morrer, tanto é que meu ex jogou isso na cara do gerente do hotel.
    Voce falou certo, existe uma máfia por tras destas mulheres todo mundo ganhando em cima das coitadas!
    E me corrija se eu tiver errada, eu li um artigo que até sindicato as prostitutas do Marrocos, elas tinha, vi um video em que uma mulher de uma ong ensinava as mulheres a usar preservativos e coisas do gêneros mas não estou em duvida se era o Marrocos ou Argelia, vou pesquisar mais!

    Abraços

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  4. Salam Andreia!

    Sobre o sindicato das Prostitutas, eu não tive conhecimento. Posso perguntar ao meu noivo. Ele me contou que as prostitutas de cada bairro, são meio prisioneiras. Só frequentam lugares com os quais elas tem acordos, e só pegam um táxi. Se o taxista vê-la pegando outro carro, eles agridem e tudo.
    Meu marido ajudou a transformar um "cabaré" (gente, carabé no Marrocos são casas que vendem bebida alcoolica, rs ) em um restaurante Brasileiro. Eu via meninas novas e lindas se prostituindo, e mulheres feias e velhas tb, rs. ( eunãoconseguiaacreditar )
    Lembro dos clientes homens... Se meu noivo saísse de perto, eles vinham igual urubu na carniça, por isso ia pouco até lá. Só ia quando os outros brasileiros iam tocar. E eu aproveitava pra fotografar. Era um sofrimento. Os marroquinos não se deixam fotografar. Muito menos num cabaré. Mal sabiam eles, que não era do meu interesse fotografa-los. rs
    Todos que trabalhavam no Resto, me tratavam bem, e sabiam que eu era BRASILEIRA e que era MULHER do chefe, mas mesmo assim, me olhavam como se eu fosse um pedaço de carne, e eu sentia aquele ar de " Nossa que PUTA,pecadora!" Sem motivos é claro.
    Esse era o lado revoltante do país que eu amo.

    Abraços!

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  5. Eu vou procurar pela reportagem e pelo video ... não sei esse era um sindicato formal mas era uma instituição que dava cursos e defendia os direitos das prostitutas.
    Ja ouvi muitos relatos que existem muita prostituta trabalhando no Marrocos e outros países perto.
    O assédio é muito forte mesmo no Oriente Médio ... eles me seguiam a pé ou de carro e me deixava muito assustada.
    Existe uma grande máfia mesmo que lucra em cima das coitadas que se vendem, engravidam e são mães solteiras em países machistas .... nossa me da pena dessas gurias!

    Abraços

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