Egípcias Se Unem Contra A Mutilação Genital

                                 Foto: Daily News Egypt

Egípcias Se Unem Contra A Mutilação Genital

Isso não é apenas "privilégio" das meninas mulheres egípcias. Mulheres de países como Somália também passam por isso! Sabe porque isso acontece? Não é por motivos religiosos puro e simplesmente! É por causa de costumes tribais desumanos que trazem muito sofrimento para as meninas e mulheres que são submetidas a essas verdadeiras sessões de tortura!

Eu leio sobre isso desde que estava na 8ª série e a minha professora de Geografia da época ficava louca quando contava isso pra gente! Lembro dela falando: "Gente, eles pegam essas meninas, cortam o clitóris com gilete e depois coloca espinhos para servir de costura para pele e carne"! " Imagine a dor de uma menina de 12 anos, sendo segurada por 3,4 mulheres e tendo seu clitóris arrancado, e depois ainda fecham a ferida com espinhos?" A professora explicava que homens de algumas tribos do Norte da África somente se casava com meninas que tinham passado pela "cirurgia". Porque estes homens pensam que sem sentir prazer, a mulher nunca iria trair o marido. Que além de não sentir prazer, sentia era uma dor enorme, como se a cada relação fosse como um estupro.

Eu que na época tinha uns 15 anos continuo concordando com a "fessora" de Geografia. Que a razão da mutilação é essa: Tirar a líbido da mulher , para que ela não procure outro homem. Pura insegurança machista!!! Para quem ainda não conhece o assunto, abaixo matéria publicada pela Agencia EFE.

As mulheres egípcias se uniram contra a mutilação genital feminina para sensibilizar o país sobre um costume nocivo que continua a ser praticado pelas costas das autoridades e que muitos justificam como um dever religioso.

Uma campanha lançada por várias organizações egípcias, em lembrança à celebração nesta quinta-feira do Dia Internacional da Tolerância Zero Contra a Mutilação Genital Feminina (também chamada de ablação), pretende erradicar de uma vez por todas dramas como o vivido pela jovem Wafae Abdel-Rahman.

"Eu não quero que minhas filhas passem pelo que eu sofri. Isso, se algum dia tiver filhos, porque tenho medo ter relações sexuais com o homem com o qual me casei, acho que não conseguirei cumprir meu papel de esposa com ele", lamentou Wafae em entrevista à Agência Efe.

Wafae, hoje uma mulher de 26 anos, teve que passar, pelas mãos de um parente médico, pela extirpação dos genitais externos quando era uma adolescente de 14 anos, porque sua mãe os considerou "muito grandes".

Apesar de viver com medo do que sentirá quando se ver "nua diante de um homem", como ela mesma explicou, relatou com firmeza todo o processo que foi obrigada a viver.

"Lembro como meu pai dizia para minha mãe que não era preciso praticar a ablação, que ainda era pequena e não era necessário, mas ela o mandou ficar quieto, se dirigiu ao médico e ordenou sem remorsos: 'Corte'", contou Wafae, que confessou odiar seu corpo que, diz, ficou destroçado desde aquele dia.

O Centro Canal para Estudos de Formação e Pesquisa é o responsável, junto com outras associações civis egípcias, por esta campanha, que considera inconcebível que o Egito seja um dos países com maior número de mutilações genitais no mundo.

"Queremos que as mulheres falem e contem suas histórias, temos dezenas de meninas que contam sua experiência por diferentes cidades do país porque é preciso deixar claro que não há nenhum texto religioso que defenda a mutilação genital feminina", advertiu Omnia Arki, porta-voz da ONG.

A oms (Organização Mundial da Saúde) declarou o dia 6 de fevereiro como o Dia Mundial da Tolerância Zero contra a Mutilação Genital Feminina, por considerar essa prática "nociva e uma violação dos direitos básicos das meninas e das mulheres".

No Egito já há leis que penalizam a ablação, mas "isso não será útil até que se consiga sensibilizar as pessoas que vivem arraigadas a essas crenças", disse Tareq Anis, presidente da Sociedade Pan-Árabe de Medicina Sexual e professor de sexologia na Universidade do Cairo.

Em junho de 2008, por causa da morte de uma adolescente que sofreu complicações após ser submetida à mutilação genital, a prática passou a ser crime previsto no Código Penal egípcio com penas de prisão de três meses a dois anos de prisão, e multas de até US$ 800.

"Passei três dias com as pernas abertas, sem conseguir me mexer, e ainda hoje lembro perfeitamente como foi esse momento. Me afetou sexual, emocional, social e pessoalmente, e principalmente a minha relação com os outros", lembrou Wafae.

Os dados indicam que a prática começa a diminuir entre meninas e mulheres da nova geração, mas os especialistas se queixam que o número continua sendo muito alto e pedem que se sensibilize sobre esta prática cultural, e não religiosa, advertem.

"Ainda há gente que pensa que isto é algo religioso e não é assim, é questão de cultura e de tradição. No Egito é praticada por muçulmanos e cristãos, enquanto na Arábia Saudita, Indonésia ou Malásia, certamente nem nunca ouviram falar sobre mutilação genital feminina", explicou Anis.

O sexólogo acrescentou que, até pouco mais de três anos, o número de mulheres que sofria a ablação chegava aos 98% no Egito, mas hoje, garante, já se pode falar em 80%.

Os especialistas estão de acordo que a regulação da prática deve ser acompanhada de educação sobre as graves consequências da mutilação genital, que reduz o desejo sexual das mulheres e não tem nenhuma utilidade médica.

Os últimos dados oficiais, de 2008, comprovam que 91,1% das mulheres com idades entre 15 e 49 anos sofreram a amputação do clitóris, o que deixa o Egito em quarto lugar entre os 29 países que realizam habitualmente a prática.

Estes números apavorantes acompanham a denúncia de Wafae, que ainda tem "medo das relações sexuais quando as tiver. Tenho pesadelos porque não saberei como me comportar, como ser com meu marido, tenho medo do fracasso em minha vida amorosa".

 

 

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4 comentários.

  1. Até hoje não entendo o que se passa na cabeça dessa gent e por mais absurdo que pareça muitas mulheres egípcias concordam com tal ato porque elas sabem que se suas filhas não sofrerem com a mutilação não conseguirão casamento. Já vi vídeos horríveis na internet e as deformidades que isso deixa no corpo. Esses homens ignorantes comparamo clitóris a um pênis. E ainda justificam que a mulher que passa pela mutilação se torna mais calma (isso quer dizer sem fogo). Idiotas são eles que não imaginam que uma mulher que sente prazer satisfaz muito mais um homem na cama.

    A gente nem precisa ir muito longe, na época de nossas avós a mulher era "proibida" de sentir prazer, isso era uma vergonha e sinônimo de que ela traía o marido. Não existia a mutilação genital, mas a mutilação moral esteve sempre presente. Tivemos um bom avanço na nossa liberdade sexual e fico feliz de ver que muitas mulheres de países mais "restritos" estão no caminho de conquistar seus direitos.

    Abraços!

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  2. Olá Star Kaur!

    É dificil de acreditar que em pleno Século 21 as mulheres continuem sofrendo nas mãos de homens com tradicões bizarras!
    Onde já se viu mutilar mulheres para deixa-las ainda mais submissas!
    Ainda bem que no Brasil as coisas melhoraram um pouquinho e nós temos pelo menos um tiquinho de liberdade e poder sobre nossos corpos!

    Abraços

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  3. Concordo totalmente! Eu também vi isso na escola. É lamentável que coisas como essas ainda aconteçam!

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  4. Olá Andressa!

    É imperdoavel que em 2014 ainda ouvimos estas estórias! Para mim sempre foi um grande absurdo saber que mulheres são submetidas a essas atrocidades por causa de homens machistas!11

    Grande abraço!!!

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